sábado, junho 6

Toca o despertador, a luz do sol penetra pela janela, os meus olhos vão abrindo gradualmente. Mais uma manhã igual a todas as outras… Enquanto me visto os pensamentos voltam e apoderam-se de mim. Vejo-me ao espelho e não há um único sorriso que soe verdadeiro… Desço as escadas com um estranho medo, não quero avançar, sair para o verdadeiro mundo fora daquela porta. Bebo algo para manter este inútil corpo terreno estável. Saí. Fechei a porta. Avancei. Quando dou por mim estou a viver exactamente o que aconteceu ontem e antes de ontem e antes de antes de ontem: as mesmas pessoas, os mesmos lugares, as mesmas nostalgias, os mesmos silêncios outra, outra e outra vez.

Tudo é igual, o dia não foi limpo, cada vez pior…
Chego a casa.
Novamente sinto o peso do quotidiano.
Dispo-me, largando as roupas pelo corredor e avanço.
Sinto o quente da água que desce pelo meu corpo como ácido que me corrói.
Vejo-me ao espelho e continuo sem sorrir. Preencho o meu corpo com uns “ trapos “ e repito o mesmo de sempre: refugio-me entre 4 paredes questionando-me, sacrificando o meu interior pensando no mesmo de todas as vezes, talvez magoando o pouco que me resta de alma mas é mais forte que eu, a dor sofrida , a desilusão que mata, as lágrimas que deslizam, tudo é mais forte do que eu.
E é aqui que rompo com o quotidiano e termino a noite de uma forma diferente: finalmente compreendo a verdadeira razão daquela varanda no meu quarto.
Escalo os limites desta varanda e sem pensar avanço, sem porquês sem olhar para trás. A lei da gravidade domina.
Neste momento já provei o verdadeiro sabor do chão que sempre pisei. Caí, mas não derramei uma única lágrima. Finalmente a respiração escasseia por completo, o sangue existente no meu corpo seca, os ossos estão partidos os mil… o meu corpo continua e continuará para sempre inútil.
Finalmente o comboio chega ao seu destino.
Morri e senti.

Amanhã é outro dia mas não para mim, não mais! Ainda queria acreditar que a minha alma subiria até aos céus mas ela não existe, aliás, acho que nunca existiu.
Adeus, eu morri. Eu morri, senti.

3 comentários:

  1. amor (L)
    tu escreves maravilhosmente bem :)
    orgulho.me de ser tua amiga.
    obriigada por seres como és :D

    Rodoldo Silva DE Freitas, para sempre <33*

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  2. sabes que mais, gosto destas palavras...soam a melodia para mim!Nao sou eu que escrevo bem, nao existe difença entre nós, sabes porquê? Escrevemos o que sentimos, por isso somos verdadeiros, nem que seja para nós mesmos!!

    ****

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  3. Gosto tanto dos teus textinhos Rodolfo :) tu e a Sarinha têm tanto jeito pra escrever ^^

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