quarta-feira, outubro 5

Estou só. Acendo um cigarro para apaziguar a dor. Não resulta. Tento outra vez. Deixo-o queimar e observo como rapidamente algo sólido se transforma em fumo que sobe até sumir por completo em algum lugar que nunca percebi onde é, porque me perco a pensar na perfeita metáfora que esta situação representa. É tarde, mas só reparei porque está frio e eu tenho saudades tuas. Ambas as situações só acontecem quando é tarde. Não aquele tarde que o relógio dita. O outro. Que dói. Que ocupa. Que estranha. Que invade. Apetece-me whisky. Já não me lembro bem ao que sabe mas sei que me apetece. Nunca percebi se as bebidas sabem mesmo bem ou se apenas matam a dor e é por isso que achamos que sabem bem. Adiante. Apetece-me ir à praia. Preciso de pisar a areia, preciso que me dês a mão e que me mostres que a praia escura e sozinha não é assustadora porque estarás sempre ao meu lado. Preciso de que me sussurres ao ouvido. Preciso que me pertenças. Ou então não, acho que o que prefiro mesmo é que me deixes ficar. Eu sei ir para a praia sozinho. Pelo menos vou tentar. Atiro o cigarro pela janela. Adeus, até um dia.

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