segunda-feira, novembro 14

Hoje deixo a chuva cair. Não a paro.
Cheira a inverno mas ainda caem as últimas folhas de Outono, pelos menos é o que dizem. Eu não vi nada cair, nem uma folha, nem nada. Só eu. Eu caí da poltrona. Uma poltrona de cartão de mágoas construída durante anos. Poltrona que achava ser a minha protecção e que deixou de suportar os meus medos. Sim, eu tenho medo. Atrás de mim há um mundo imenso cheio de fantasmas do passado mas sobretudo fantasmas do futuro. O desconhecido assusta-me mas rapidamente me deixa completamente atraído, inconscientemente ou não sempre que ele me chama eu entro sem pensar sequer uma vez.
Continua a chover. Vou-me deitar.
Preciso de ti.
De quem? Não sei. Mas preciso, preciso que me enroles o último cigarro da noite e que mo acendas, que me aconchegues e que me digas que ao contrário do fumo nós não desaparecemos do nada. Preciso que me digas que esta noite nunca será a última. Adormece ao meu lado e dá-me a mão. Só quero isso, dá-me a tua mão e vamos dormir assim, só assim. De mãos dadas e acordar assim. Deixa-me sentir o teu bafo junto de mim mais uma vez antes de fechar os olhos. Depois fala comigo mas em silêncio. Entra na minha mente e invade os meus sonhos. Esta é a primeira de muitas noites, promete-me. 

até breve,
rodolfo freitas

2 comentários:

  1. As tuas palavras tocaram-me e fizeram-me rever nelas. Consigo imaginar-me a escrever quase a mesma coisa, se tivesse um dom para escrever assim como o teu e uns minutos para parar e deixar os dedos teclarem por si só.
    Obrigada pelo teu comentário, fico contente por teres experimentado e gostado do bolo! :D É uma boa companhia para estes dias de outono que sabem mais a inverno, acompanhado com um bom cházinho ou cafézinho.

    beijinhos***

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